FELIZ ANO NOVO!

TONICO PEREIRA.
NÃO CONQUISTEI O TONY RAMOS E ACABEI PERDENDO O PEREIO!
Se me perguntassem se tenho inveja de alguém, eu diria sem pestanejar: do Tony Ramos, mas me faltam inúmeras qualidades, que eu não conquistaria nem se Deus me desse a oportunidade de viver 200 anos. Já tentei me aproximar dele para aprender alguma coisa, mas, como um peixe magnânimo de um mar insondável para mim, ele se mantêm numa distância segura, olhando-me sorridente e simpático, e, talvez, se indagando, “o que esse desajustado quer comigo?” Eu também sorrio e me deixo levar pelas ondas que me afastam, neste movimento aproveito, olho pro céu e digo: “mamãe eu tentei.” Nado até a praia e avisto, sentado numa espreguiçadeira e tomando cerveja, meu amigo Pereio, que me olha por cima dos óculos e diz: senta aí, vai cerveja? Eu respondo: Pereio, tenho que te confessar, tentei mais uma vez, há dois minutos atrás, que não mais fôssemos má companhia um para o outro, minha mãe, lá em cima, é testemunha (olhando para o céu), “não foi mamãe?” Neste momento o céu soluça e chove lágrimas de mãe desesperada e eu digo: Pereio, agora eu tenho que ir ao banheiro, mas a noite que tal um vinho BB (bom e barato) lá em casa? Por favor aceita, que eu estou muito rejeitado. Pereio me olha com uma cara elaboradamente marginal e diz: vinho...vinho, um só? Vamos tentar. Eu agradeço feliz e saio correndo impulsionado por um motor 3.0 Diesel que habita em meu intestino em direção ao banheiro mais próximo, atravesso a areia acionando a tração nas quatro, o asfalto, e chego a Fiorentina. Afinal, o banheiro. Lá, já sentado e descarregado, me acalmo e penso, “Meu Deus, esqueci de dizer ao Pereio onde estou morando agora”, e chego a infeliz conclusão: não conquistei o Tony Ramos e acabei de perder o Pereio.