
Escrever é uma possibilidade real de enganar a solidão, pra mim é, mas nem sempre isto se dá, às vezes não basta, e me ponho a escrever com um sentimento profundo de vazio, bombardeado por situações que me envolvem dentro de uma bolha que não deixa com que eu me relacione com o de fora e, ao mesmo tempo, me pergunto: será que valeria a pena? São roubos, assaltos, crianças chacinadas, hipocrisia, mentiras, dureza, juros, exploração, meu time na terceira divisão. Talvez seja melhor que essa bolha se solidifique em volta de mim, tornando-se aço, intransponível, contanto que me permitam caneta e papel, para que a minha solidão seja em relação ao mundo, mas nunca em relação a mim mesmo.
Tonico.