!Amiga!
Definitivamente, sou um privilegiado. Não pelas benesses mesquinhas que o homem almeja em sua passagem pelos caminhos do mundo. Mas esses mesmos caminhos nos surpreendem com as suas rotas e nos fazem encontrar poucos – muito poucos – amigos (afinal temos algum caráter), porém todos da mais pura qualidade. Deveria agradecer a Deus por isso, mas meu Deus não tem a simplicidade de um Deus, mas a complexidade do homem. Sim, meu Deus é o homem, portanto: obrigado meu Deus / Homem, pelas minhas poucas e eternas amizades. Mas sou um iconoclasta convicto, e não me basta o Deus / Homem, eu quero mais, eu tenho mais. Simplesmente meu Deus é mulher, plural, único, definitivo e fundamentalmente presente, sem precisar que eu lhe dirija orações de súplicas. Um deles (delas) estar sempre presente, me ilumina com sua sensibilidade, professora de solidariedade que é, como estrela-guia, guia meus passos na imensidão da insensatez – não que eu peça (às vezes peço), mas porque fundamentalmente preciso, e como Deus, ela sabe disso, mesmo que eu ainda não saiba. A imagem mais próxima que tenho dessa Deusa / Mulher é a de uma penugem de ganso, diafanamente sendo levada pelos ventos e que jamais deve tocar o chão para que não se torne impura – quem sabe purificaria o chão? – e na dúvida, ventos, levem-na para o alto, sempre e sempre, afinal o céu é o lugar definitivo dela.
Faz 42 anos que adotei esta religião, a do Deus / Supremo / Mulher, e quem me faz crédulo, e quem me faz esperançoso, foi especificamente esta Deusa / Mulher: Imara Reis. E como ela não gosta de orações – eu sei – faço uma oração disfarçada em agradecimento...
... obrigado, Imara, por sua máxima, máxima, máxima amizade.
Tonico Pereira
Escrevi este texto para que constasse da biografia da Imara, o que muito me honrou, mas ainda, quando li a biogafia. Um painel preciso de uma época que sobrevivemos juntos. IMARA REIS, VANFILOSOFIA da Coleção Aplauso, editora Imprensa Oficial.
T...
terça-feira, 3 de maio de 2011
sexta-feira, 22 de abril de 2011
A BOLHA

Escrever é uma possibilidade real de enganar a solidão, pra mim é, mas nem sempre isto se dá, às vezes não basta, e me ponho a escrever com um sentimento profundo de vazio, bombardeado por situações que me envolvem dentro de uma bolha que não deixa com que eu me relacione com o de fora e, ao mesmo tempo, me pergunto: será que valeria a pena? São roubos, assaltos, crianças chacinadas, hipocrisia, mentiras, dureza, juros, exploração, meu time na terceira divisão. Talvez seja melhor que essa bolha se solidifique em volta de mim, tornando-se aço, intransponível, contanto que me permitam caneta e papel, para que a minha solidão seja em relação ao mundo, mas nunca em relação a mim mesmo.
Tonico.
TOXOPLASMOSE NA TV

Senhores e senhoras:
A ignorância na dramaturgia, assim como a sapiência são usados pelo autor(a), para traçar alguma característica de um personagem qualquer, portanto, exigir que um personagem de ficção seja suficientemente sabido e informado, ou ignorante e desinformado, nos impõe uma premissa que acabaria com a arte, e passaríamos, por exemplo, a matar nas ruas, quem faz papel de bandido na televisão. Calma gente!!! A idiossincrasia comportamental é que nos faz mais humanos e originais, portanto vamos aceitar como aceitamos nos nossos pais e filhos, que eles não saibam como a toxoplasmose se transmite. Compreendamos que exista quem não saiba; afinal, não estamos em um congresso de veterinários, mas diante de uma obra de ficção. No caso, mas vale o sentimento de uma grávida ter medo de contrair a doença atingindo o feto; do que saber entender cienficamente todas as etapas desta infecção.
NA ARTE, VALE MAIS O SENTIMENTO QUE O CONHECIMENTO!!!
É a minha modesta opinião.
Tonico.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
AVISO!
O Lar das Crianças Pobres da Lagoa Rodrigo de Freitas, mais uma vez, encontra-se em dificuldades financeiras extremas, dívidas com a Receita Federal, Estadual e Municipal, Bancos e Comércio em geral inviabilizam o seu dia a dia, na eminência de um caos total e irreversível, lançamos mão do nosso mais conceituado produto, reconhecido nacional e internacionalmente, e o que antes era apenas para uso interno, oferecemos ao público em geral - atores, bailarinos e afins -, democratizando o nosso conhecimento a um custo barato (dada a grandeza do produto), acessível a todos e que reverterá, integralmente, ao custeio da dívida da instituição citada no início.
Sem mais delongas, vamos ao produto propriamente dito:
Sem mais delongas, vamos ao produto propriamente dito:
terça-feira, 22 de março de 2011
SALVE JORGE!
Sou um ator de aluguel. Talvez muitos não saibam disso, mas não importa, eu sei, e isso me basta para reger as minhas relações com a profissão. Isso também me permite ser ignorante em se tratando de leis de incentivo; até agora nunca usei e gostaria de poder dizer não usarei, mas o futuro não me é dado a conhecer antes que ele aconteça. Mas vamos ao que interessa, como já disse sou um ator de ofício, sem essa de artista, estado que podemos alcançar, se alcançarmos, em um segundo, numa pausa, num gesto, depois de três meses de ensaios, de um ano de apresentações, onde só o ofício vigora exercendo a pretensão de estarmos vivos, para nos tornarmos Deus quando este segundo acontece. Gosto de ter opinião, gosto de emitir minha opinião, mas não consigo caricaturar ninguém com adjetivos advindos de uma visão mesquinha, só para parecer, a mim mesmo, mais forte e inteligente, apesar de estar escudado numa casamata chamada internet/computador, que protege e esconde. Pela prática do meu ofício, entendo um pouco do ser humano. Não conheço a Maria Bethânia pessoalmente, mas conheço a sua obra, e gosto. Não conheço os custos de uma produção, apenas o que me cabe como salário, que não é muito. Não tenho partido político, apenas votava com prazer maior quando Brizola vivia. Mas pelo pouco que conheço do ser humano e por alguns contatos que tive com Jorge Furtado, aceitando inclusive que ele talvez possa exagerar na defesa de suas idéias, posso garantir que ele não merece, nem por sua obra, que já atingiu vários momentos de arte, nem por sua pessoa, inteligente, culta, talentosa, trabalhadora (e amante do vinho), os adjetivos peçonhentos a ele dirigidos neste embate que deveria ser de idéias, para que todos pudessem melhorar como diretores, atores, autores, produtores e platéia. Poderia depor contra este meu posicionamento o fato de eu já ter sido contratado algumas vezes pela Casa de Cinema de Porto Alegre e que eu estaria pavimentando outras contratações, mas quem me contrata convive com as minhas opiniões e direitos, por isso, sempre que trabalho longe do meu Rio levo no bolso o dinheiro vivo que poderá me trazer pra casa em caso de uma incompatibilidade maior. Jorge, portanto, sabe quem ele está contratando e os riscos que corre.
Salve Jorge!
Tonico Pereira.
Salve Jorge!
Tonico Pereira.
VEÍCULO DO PASSADO, MEUS PÉS, E DO FUTURO TAMBÉM.
Nos meus sonhos ideais não ultrapasso os limites de onde os meus pés podem me levar. Por exemplo, nos meus sonhos consigo, no máximo, dar uma volta inteira na Lagoa Rodrigo de Freitas, com uma felicidade extrema. Mas, infelizmente, a vida não é só feita de sonhos, existem os pesadelos, e eles tem que ser enfrentados e superados, pois os vencendo posso sustentar meus filhos, meus vinhos (BB), e, ocasionalmente, receber na minha sala pessoas amigas que gosto muito de ter por perto. Pois é, para gozar desses pequenos prazeres tenho que entrar num avião insensível que ignora os meus sentimentos de repulsa e me leva sob o domínio do medo, sequestrado, aos meus destinos de sobrevivência - uma peça em Porto Alegre, um filme no Amazonas, um programa de TV em São Paulo - e lá vou eu, mudo, calado, procurando justificar minha presença naquele vôo com a necessidade de pagar os vários cursos de Antônio e Nina, afinal, eles têm uma agenda de executivos de alto nível, e eu, ao partir para qualquer um desses destinos, só me reconheço na possibilidade de voltar a pisar o chão do Rio de Janeiro. E dar a minha volta triunfal na Lagoa, como um pai que conseguiu pagar mais um mês de colégio, agradecendo aos céus, fundamentalmente, por meus pés, pela possibilidade de me levarem para onde eu possa ir com o máximo de felicidade possível.
Antônio e Nina, papai chegou!
Beijos, Tonico.
Antônio e Nina, papai chegou!
Beijos, Tonico.
...?TECNOLOGIA?...
Não me agrada a tecnologia. E quanto mais alta, mais baixa a minha admiração. Não acho que o homem deve ir além dos seus recursos naturais e artesanais, estes sim o verdadeiro progresso. Estamos neste momento vivendo mais uma tragédia, enquanto natural, é terrível, mas natural, somos homens convivendo com o perigo que é simplesmente viver. Podemos correr dele, nadar para longe dele, ou enfrentá-lo com socos e pontapés, mas eu nunca vi ninguém dizer que escapou de um desastre aéreo ou radioativo pelo seu belo condicionamento físico e mental, ou seja, um desastre aéreo é covarde em sua essência. Quer coisa mais covarde do que você lutar contra um terremoto com todas as suas forças, sobreviver, lutar contra um tsunami, sobreviver, e depois - naquele cenário desolador, onde vários mortos naturais o cercam, você se sente vitorioso por ter ganhado a guerra - mas ao respirar fundo comemorando o dever cumprido, o maior que cabe a espécie humana que é sobreviver, neste prosaico respirar, sem nenhum ato de violência aparente, você é contaminado por partículas atômicas de alta tecnologia. E você, que salvou seu filho das intempéries naturais, morre junto dele, sem poder correr da nuvem radioativa tecnológica, sem poder dar-lhe um soco na cara, sem poder xingar, apenas morre, sem nem lágrimas de reação.
Tonico.
Tonico.
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