terça-feira, 14 de agosto de 2012

Glória! Glória! Glória!

Não morri aos 27 anos, também não morri aos 33 anos. Para atingir a Glória só me resta morrer com mais de 100 anos, vítima de priaprismo total, absoluto e irreversível. Em Glória, Tonico Pereira.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

EDITAL DE FUNDAÇÃO

Venha fazer parte! Hoje é o dia consagrado da fundação da IGREJA DO LIVRE ARBÍTRIO TOTAL E INFINITO, todos os seus integrantes podem e devem fazer o que bem lhes convier, limitado apenas pela não interferência na liberdade do outro(s). Assim Seja, Tonico Pereira – Bispo (até o dia que, por ventura, interfira na liberdade alheia). PS.: Não cobramos dízimo.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

MINHA CAMBAXIRRA

Eu tinha mais ou menos 9 anos, era 1958 (Brasil Campeão do Mundo pela primeira vez). Saí do Clube de Regatas Saldanha da Gama e me pus a andar pela Beira Rio com destino a minha casa, o vento era fresco. De repente, senti um impacto leve na minha cabeça e depois no meu ombro, assustei-me, mas logo vi que se tratava de um filhote de passarinho, mais precisamente um filhote de cambaxirra, um pássaro pequenininho muito comum na minha Campos de antigamente. Corri pra casa, na rua vinte e um de abril, 155, alimentei a cabaxirra com uma papa de farinha e a contragosto dos meus pais, avós e etc, a coloquei na cabeça, aninhando-a com todo o cuidado. Logo vieram as primeiras tarefas que me eram incumbidas, ora por minha avó, ora por minha mãe. Eu sempre com a cambaxirra na cabeça. - Vá ao armazém e traga 1kg de açúcar! – gritava minha avó. Eu, geralmente, fazia isso correndo, mas nesse dia não, fui devagarinho pra não desequilibrar a bichinha no alto da cabeça. Essas ordens que eu recebia eram sempre acompanhadas de: - E vê se tira esse passarinho daí, ela vai te passar piolho, além de fazer coco nos seus cabelos. Eu nem ligava e ia até o armazém do Sr. Ernani, que me dava 1kg de açúcar e anotava no caderno. Ele me apelidou de Dudu Cambaxirra. Dudu era como me chamavam normalmente, mas agora eu tinha um sobrenome que muito me orgulhava, Cambaxirra, Dudu Cambaxirra. O engraçado é que sempre que levei a bichinha na cabeça não tive piolho e ela só fazia coco quando eu a pegava para dar de comer, muito educada a menina. Pois, passados alguns dias, ela foi evoluindo, começou a dar alguns voos tímidos, depois outros mais livres. Mas, logo retornava a se aninhar nos meus cabelos encaracolados (eu tinha uma puta raíva do Elvis Presley com seus cabelos lisos, eu, e talvez o Caetano Veloso, quem sabe?). Até que um dia ela voou de vez, foi até um galho, olhou para mim como se agradecesse e foi em direção aos céus, foi de vez e para sempre, não precisava mais dos meus fartos cabelos. Enfim, amadureceu. Hoje sou careca, os cabelos também se foram, alguns levados pela cambaxirra, outros optaram pelo suicídio e se jogaram ao chão, não ousei detê-los com nenhum tratamento capilar. Não tenho mais cambaxirra e cabelos, mas, ao contrário dos cabelos, essa cambaxirra nunca me saiu da cabeça, seguirá eternamente em meus sonhos mais puros. Acho que será o amor eterno que levarei em minhas lembranças não passageiras. Saudades incontroláveis povoam a minha cabeça, mas me resta um consolo, tenho certeza que ela se lembrará sempre de mim, como aquele garoto que fez dos seus cabelos encaracolados um ninho para acolhê-la, antes do seu voo definitvo. Tonico.
Estou tão velho que a minha próxima conquista há de ser uma geriatra.
Sou um mero marginal social, que por acaso e sorte chegou a ser ator, ou seja, cheguei ao mesmo lugar em que iniciei. Marginal social.
Sou um ser humano capaz de tudo, com o agravante de ser ator.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

TARJA PRETA

A inércia me faz apático e a apatia me faz inerte. Sei que preciso de motivação, a que me ocorre é escrever, mas não será o bastante para me livrar deste estado. Não tenho teatro neste momento, não tenho gravado também, são agravantes. Socorro, Socorro! Um psiquiatra, por favor, quem sabe um silêncio significativo seu me devolva as lembranças de dias melhores! Um tarja preta, por favor! Tonico.