sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012






Para a apreciação dos meus seguidores: em breve o Analfabeto que Escreve divulgará os vinhos B&b de sua predileção, na esperança de receber algum deles de presente...

Tonico!

ZZZzzzZZZzzz... ou Hibernando no Verão

Estive de férias (Zzz...) e isto me levou a deixar o blog de lado; pois não é que fui tomado por uma insegurança enorme quanto a aqueles que vez por outra me dão o prazer de acessá-lo, e entrei numa paranóia de que essas dadivosas pessoas podem me esquecer pra sempre e nunca mais lerem o que escrevo com muito prazer e nenhuma maestria, afinal sou um analfabeto (com caráter) que escreve. Então, vamos lá. Pois é, de há muito tempo me incomodava a ausência de opinião das pessoas nesses tempos atuais, aí incluindo grandes formadores de opinião da minha geração, que estão calados. E quando se pronunciam é sempre de forma elogiosa e sem caráter, ou seja, a síndrome do politicamente correto paira como sombra nefasta sobre as nossas cabeças, ou pior, talvez para não perder público eles se atualizam referendando quase sempre pessoas sem talento, mas de sucesso momentâneo, numa troca comercial. Eu te apresento um novo público e você me dá um selo de qualidade e nós seguimos felizes, aumentando ambos o nosso mercado. Enfim, tenho saudades de um tempo em que as opiniões eram discutidas (geralmente em mesa de bar) com grande poder de transformação e formação dos discutidores. E eu fico aqui, completamente na contramão dos tempos e pronto para dizer: adoro esse ator ou, ao contrário, que merda é esse ator, e não excluo a possibilidade de ser eu mesmo considerado um merda, mas sempre por alguém de caráter.

Tonico.
Em tempo: posso estar completamente errado, mas novamente acordado!

O CANTEIRO

Numa autocrítica antecipada, reconheço que o texto que se segue, além da minha natural arrogância, é reincidente, imperfeito, incompleto na abordagem do assunto e pretensioso. Portanto, leiam com alguma condescendência, afinal, sou apenas um analfabeto.

Todos sabem que eu jamais seria politicamente correto, mesmo que eu tentasse, como sofro de rejeição a lactose, em algum momento não conseguiria segurar os gases e cairia por terra toda e qualquer postura educada que eu pudesse querer exercer. Sendo assim, me permito algumas reflexões sobre o atuar dos atores (alguns meus amigos e até mesmo eventuais patrões), obviamente não revelarei nomes, afinal sou politicamente incorreto, e isto não é sinônimo de burrice.

Vamos lá, há anos ouço depoimentos/entrevistas/declarações em que atores, com alto grau de preconceito, ao fazerem um personagem, recorrem a pesquisas e laboratórios que os levam ao encontro de desafortunados sociais e psicológicos como se eles próprios fossem seres humanos acima do bem e do mal, que fazem uma concessão magnânima em representar esses tipos. Isto ocorre com uma incidência constante nas entrevistas. Por exemplo: - Eu fui a um puteiro para observar as putas; - Eu fui a uma boate gay para observar e assimilar melhor os jeitos e trejeitos gays.. Ora, que falta de humildade. Nós atores somos essências como seres humanos que somos, portanto, capazes de tudo. O homem/pai capaz de jogar a filha pela janela é o mesmo homem/transeunte capaz de tentar aparar a menina que cai vertiginosamente do oitavo andar. Pois é, somos esse homem capaz de extremos tão opostos quanto humanos. O que temos que observar com a nossa racionalidade é o nosso turvo/claro interior psíquico e, como humanos, exercer o nosso livre arbítrio para uma vida cidadã e enquanto atores/humanos usar as nossas saudáveis ou escrotas potencialidades internas para emprestarmos aos nossos personagens, sem tratá-los com preconceitos, pois, eles e nós somos a mesma pessoa, capaz de cultivar a erva daninha e ao mesmo tempo o lírio, no mesmo jardim.

O dia em que o ator entender que nada está fora dele como material de construção do personagem e parar de agir como um embuste, ou melhor, um imitador, chegará à proeza divina de servir como canteiro dos personagens que ali possam brotar. Por fim, senhores atores, não sejam hipócritas ao saírem em busca de uma possibilidade cênica numa boate, num bar, num manicômio e etc... quando você mesmo é o canteiro de todas essas coisas, afinal, o mesmo homem/pai que joga a filha do oitavo andar é...

Aceitem isso, e serão verdadeiros atores e homens. Ou, então, serão meros imitadores, sem possibilidade de atingir em um segundo de suas ricas vidas o estado divino da arte.

Pois é, falei.
Não me levem tão a sério, em verdade, na interpretação vale tudo.

Tonico P.

sábado, 28 de janeiro de 2012

PARTO LITERÁRIO

Três motivos principais me impedem de escrever cotidianamente, a saber: o meu analfabetismo, certa dislexia e, por último, uma preguiça que vive agarrada ao meu pescoço como se me aplicasse um mata leão no mais puro estilo e eficiência de Anderson Silva. Mas, eis que me dirijo à cozinha para tomar meus remédios noturnos e me deparo com a minha adega insinuante e repleta de vinhos BB (bom e barato). Resolvo abrir uma das garrafas, afinal não tenho compromisso amanhã de manhã, e lá pela terceira taça o meu analfabetismo se transforma em audácia, a dislexia se transforma em pensamentos borbulhantes que invadem o papel branco à minha frente, e a preguiça, a preguiça coitada, vítima de um contra-ataque fulminante, larga o meu pescoço após uma dentada em um de seus dedos, aplicada por dentes vigorosos que ainda existem em minha boca. Pois é, ninguém a me impedir e eis-me escrevendo sem nenhuma censura sobre meus devaneios noturnos, só espero não ser desclassificado por vocês, meus juízes eleitores, pelo golpe sujo, ou seja, a mordida aplicada no dedo da preguiça, mas antes no dela do que no meu, pois só assim consegui escrever. Em tempo, salve o vinho BB de nossas noites insones.

Tonico.

O analfabeto que escreve, cada vez mais ousado e sem autocrítica, vai lançar um livro (discutindo com o editor), com os melhores (?) textos do Blog.

ILUSÃO À TOA

São duas e vinte da manhã do dia (acho) 25/01/12, bebo vinho e espero a hora, espero a hora e bebo vinho. Hoje às 11h receberei em minha sala um possível editor dos meus textos. Não existe em mim a expectativa do sucesso literário, mas sim a expectativa de falar das minhas angústias mais presentes, e se elas interessarem a uma única pessoa estarei satisfeito. Mas pelo fato delas interessarem de forma abrangente a mim mesmo, devo declarar que estarei satisfeitíssimo, e que nenhuma proposta, ou melhor, todas as propostas serão para mim um oásis onde talvez, quem sabe, depositarei as minhas angústias mais angustiantes e, a partir delas, conseguirei pagar a que mais me angustia, o colégio dos meus filhos Antônio e Nina e os brinquedos dos meus netos Benjamim e Isa.

Tonico.